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sábado, 22 de junho de 2013

Uma sensação sem igual! Escalada na Pedra da Gávea - RJ

Os preparativos. A expectativa. Os desafios. Os imprevistos. A emoção da conquista.

Leia agora o relato e veja as fotos dos escaladores do E.R.A. em todas as etapas dessa aventura!

(Clique nas imagens para ver em tamanho maior)

GalE.R.A. preparada! Kico, Thiago, Helder, Zé Vicente e Conrado.

Aventura: Escalada na Pedra da Gávea
Via: Passagem dos olhos
Data: 13/06/2013


O dia começou cedo! Saímos de Juiz de Fora, MG, às 5h da manhã com o carro cheio.

No volante, Thiago Medina, 29 anos, há mais de 8 no esporte, pai da Cecília. No copiloto, Helder Souza, companheiro e amigo sensato nas horas mais difíceis, escalador há 2 anos, direto de Matias Barbosa. Banco de trás recheado: Conrado Furiati, amigo das antigas e parceiro de cordada; Kico Zaninetti, que chegou há pouco, mas veio para ficar; e quem não podia faltar: Zé Vicente, o fodão da floresta.

BR – 040 em direção ao Rio de Janeiro, destino à Pedra da Gávea. O acesso é pela estrada Sorimã na Barra da Tijuca, bem no final da rua. Chegamos às 9h30 da manhã e logo de início avistamos a guarita e a placa com o mapa das trilhas que levam até a base da rocha. Ali fizemos nosso registro de entrada no Parque Nacional da Tijuca. Começava o grande desafio, uma longa trilha a percorrer. No inicio uma leve inclinação, mas a turma estava muito animada e o que não faltava era disposição.






Logo mais a frente após a cachoeirinha a trilha se estreitava e a inclinação de leve passava a ser puxada, típico de nossas montanhas. As matas muito fechadas, mal dava para ver o céu. No caminho alguns blocos de pedra indicavam que a rocha se aproximava, um dos marcos é a Pedra do Navio com seu formato de lancha e um mirante deslumbrante para alguns minutos de descanso e um ótimo local para umas fotos.


Dali pra frente a mochila ficava mais pesada, a trilha íngreme virava “escalaminhada”, alternando trechos de pedra com caminhadas. Logo em seguida a Praça da Bandeira, inconfundível pelo tamanho de sua clareira e ótimo ponto de descanso antes da aproximação final, onde seguimos para uma subida muito íngreme, quase uma escadaria. Passamos por um mirante e logo avistamos a cabeça do imperador, toda encoberta por uma névoa. 

GalE.R.A. sumiu na neblina!
Após 1 hora e meia de caminhada, sentamos na base da via, onde Helder Sousa sugeriu abortar a missão. Mas como no Brasil o aborto é proibido, decidimos subir! Thiago Medina disse: “vim para escalar!!” e a turma sacudiu a poeira. Preparamos todos os equipamentos, divisão dos alimentos, costuras, planos de alto resgate e, como não pode faltar, Helder Souza puxando nossa oração tradicional em agradecimento pela grande oportunidade.

Mão na via, croqui na cintura, via Passagem dos Olhos 3ªIV C clássica que leva até o cume, com bastante escalada horizontal. Puxando a corda, Thiago Medina, levinho como uma nuvem, subiu os quatro primeiros grampos, só vendo dificuldade na última passada, pouco antes da parada (onde nosso amigo Vicente, só para animar o dia, já tomou aquela “vaca”). 


Parada pronta, o resto da turma subiu bem. Todo mundo lá de olho no próximo passo. Atravessa um escala moita seguida de um trecho de rocha abaloado a vertical, bem exposta onde utilização de móveis nunca é de mais.

A próxima parada, também muito bem sinalizada com ótimo local, platô de altura ideal. Vicente desde cedo reclamando do peso da corda, que os braços não estavam dando conta. Como é de regra, levamos nossos rádios pra facilitar a comunicação. Em alguns momentos a preocupação era a mesma. A turma da frente perguntava o que estava acontecendo com a turma de trás e a turma de trás o mesmo. Perguntando: “e aí pessoal como é que está? Já chegaram?” O Conrado como sempre demonstrando toda sua habilidade com o tilbloc e sempre auxiliando nas paradas, ajudando a recolher as cordas dos companheiros. Da segunda parada pra frente, muito feldspato seguido de quartzito como indicava nosso amigo Helder Souza.









Logo Thiago Medina avistou a 1ª placa de homenagem. 
Dali pra frente, a rocha se mostrava impiedosa, totalmente vertical, com pegadas pequenas e fechadas, em uma escalada técnica. Em momentos como este a experiência se torna essencial, pois o controle psicológico é fundamental devido à altitude, com trechos alternados com pouca visão e neblina. Quando o céu se abria, demonstrava todo o Rio de Janeiro com sua paisagem linda. Como “limpa via”, nosso colega Kiko recolhendo todas as costuras e ficando por último nas paradas.

Se liga no visu!!!
Chegamos na terceira e última parada antes do cabo de aço (olho direito). Havia uma gruta grande onde com certeza cabiam algumas pessoas. Logo nessa hora em que todos nós chegamos, sentados na beira da pedra com a corda de segurança por trás, a visão do imperador se abriu e tudo se esclareceu. Avistamos o corcovado de costas, a rampa de parapente  e os raios solares passando pelas nuvens. Foi o tempo de tirarmos algumas fotos, comer alguma coisa e contemplar toda a vida que existe. 








Uma sensação sem igual! Estar lá no topo, à 850 metros de altura e se sentindo tão herói e vulnerável ao mesmo tempo.

O tempo fechou. Em cima da hora, 16h30, tínhamos que partir. O sol apontava no horizonte e logo ia se esconder. Daquela parte era possível rapelar de duas cordas. Na montagem da parada, alguns grampos telegrafando e a corda era a conta de chegar ao chão. Com muita coragem e fé, mandamos o Vicente, porque se era pra dar zebra, que fosse com o mais “pesadinho”. Apesar de que, com seus hiper braços e várias ferramentas em seu cinto de utilidades, não seria nenhuma dificuldade para nosso amigo ascender em corda de volta ao ponto de parada. Todo mundo desceu rapidinho. Logo em seguida pegamos as mochilas que estavam escondidas próximas à base da via e encaramos a descida noturna, todos com suas lanternas, fazendo todo aquele longo caminho de volta. 

Super cansados, chegamos ao final da trilha por volta das 19h e só lá demos conta que nossa expedição havia terminado. Rimos, tiramos fotos e percebemos que havíamos superado mais um desafio, mais um obstáculo.

Aquela rocha, por maior que ela seja, nos fez sentir muito maiores. 

Ótima escalada, ótimos amigos! Mais uma vez a escalada vem para somar em nossas vidas e nos mostrar o quanto devemos ser humildes.


        Viva a aventura de viver!!!



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Até a próxima, aventureiros!




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